Mostrar mensagens com a etiqueta 3. Barcelona. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 3. Barcelona. Mostrar todas as mensagens

Última noite em Barcelona

Na última noite combinámos ir dar uma volta com umas alemãs muito jeitosas que conhecemos no hostel. Elas disseram que iam só jantar e que depois nos encontrávamos.

Bem, elas nunca chegaram a voltar do jantar.

Sinto-me mal por não as ter avisado sobre os perigos da comida chinesa. Espero que tenham ficado bem... Nunca mais as voltamos a ver.

Acontece que nesse mesmo dia, ainda de manhã eu estava aqui:


Mais concretamente, estava a tocar no piano de cauda roufenho e desafinado que se encontrava no átrio.

Horas antes tinha chegado ao hostel um autocarro cheio de atrasadinhos mentais.

Não é no sentido figurado. Eram mesmo tru-lu-lus.

O Nuno, ao passar por mim na direcção do quarto, não deu a mínima atenção às duas raparigas que estavam a ver-me tocar e que batiam palmas sempre que eu chegava ao fim de uma música.

Assumiu rapidamente que deviam ser duas tru-lu-lus do grupo que tinha chegado havia pouco.

Acontece que não eram.

Acontece que eram uma francesa e uma austríaca na casa dos 24 anos. E sem querer denegrir a austríaca que não tem culpa nenhuma, a francesa era simplesmente deslumbrante (na verdade, mais tarde vim a saber que para além de trabalhar em relações públicas ela também era modelo fotográfica).

Já estava a ficar constrangido com a assistência e com as palmas por isso optei por parar de tocar e fui falar um pouco com elas.

Depois elas foram para a cidade, despedindo-se com muitos sorrisos, e disseram que só voltariam à noite.

À noite, estava eu na sala de convívio do hostel a ler o meu livro enquanto esperava que as alemãs aparecessem.

Não apareceram elas, mas apareceram a austríaca e a francesa, que ao verem-me vieram ter comigo e começamos numa conversa animada.

O Nuno, que já tinha ido dormir, deve ter acordado sobressaltado a sentir cheiro a gaja e apareceu na sala minutos depois, todo desgrenhado. Teve um timing impressionante.

Passámos o serão na companhia destas duas raparigas deliciosas, Tanja (a austríaca, em cima) e Isabelle (a francesa, em baixo), a primeira sempre a dar bola ao Nuno e a segunda a dar-me a mim:


Aquilo estava a correr bem.

A Tanja já mexia nos caracóis do Nuno a dizer que eram muito bonitos e a Isabelle agarrava-me as mãos e dizia que eram muito bonitas...

E esta Isabelle era uma doçura de rapariga, linda, querida, ai ai, um espectáculo de mulher...

Continuámos nesta conversa sedutora durante uma boa hora e meia, as coisas enrolaram, enrolaram...






...







...






Até que nos despedimos e cada um foi para o seu quarto dormir.

Habilidades

Eu a fazer uma das minhas habilidades:

Tento usá-la para impressionar as raparigas, mas até agora não tem resultado muito, não percebo porquê.

Park Güell


No dia seguinte fomos visitar este enorme e lindíssimo parque de arvoredo frondoso infindo, que se espraia por várias colinas, no topo de uma das quais se encontra um miradouro com uma espectacular vista sobre a cidade:


Perdida no meio deste parque encontra-se a casa que Gaudi habitou, desenhada por ele, e que agora alberga um museu dedicado ao arquitecto:

Por entre os bosques despontam arcadas de pedra de construção bizarra, que te fazem sentir teletransportado para um mundo alienígena, digno de uma fantasia de Bilal:


Espreitando sobre um muro no limite do parque abarcamos uma nova vista da cidade, dominada em primeiro plano por esta casa completamente grafitada:

E no coração do parque Güell, mais uma bizarria arquitectónica interessantíssima:

No topo temos um terraço onde nos podemos sentar a apreciar a paisagem ampla:

E por baixo, uma galeria improvável suportada por colunas de pedra, onde um artista toca guitarra clássica e o som dos acordes ecoa pelas paredes criando uma atmosfera de grande misticismo.

Descendo um pouco chegamos à saída do parque, guardada por mais um par de construções completamente aberrantes:

O parque está recheado de vendedores de bijuterias, instrumentistas e cantores que aproveitam a acústica magnífica dos nichos de pedra para criar um ambiente mágico de grande musicalidade.

E por todo lado se vêem mulheres lindas, afogueadas com o calor insuportável e por isso com muito pouca roupa.

Hostel nº 2

Ao fim de 3 noites em Barcelona decidimos ir para outro Hostel.

Foi sem dúvida uma excelente ideia.

Sendo a cidade bastante grande, isto permitiu-nos localizarmo-nos numa zona completamente diferente e assim poder visitar outras coisas.

Ao pequeno-almoço tirámos uma foto de despedida com as eslovenas, com promessas de nos voltarmos a encontrar e convites de ambas as partes para passar uns dias nas respectivas terras-natais:


Depois pusemos as mochilas às costas e apanhámos o metro para uma zona bastante mais periférica da cidade, onde se encontrava o nossa nova pousada.

Metro, por sinal, muito maior e mais complexo que o de Lisboa.

Lá chegados, tivemos de subir uma vertente inclinada durante uns dolorosos 20 minutos pois o albergue era no topo de um monte.

Mas o sítio vale sem dúvida a pena. Está rodeado de arvoredo e tem uma bonita vista sobre a cidade:


uma esplanada para os hóspedes:


E o edifício em si, antigo mas conservado, é extremamente invulgar, principalmente os interiores, decorados com inspiração arábica, mais uma vez em tons de vermelho, a cor que predomina e simboliza esta cidade quente, tão quente que estava sempre a ir-me pôr debaixo do chuveiro ou de fontes na rua para me refrescar, encharcava propositadamente as roupas e vestia-las assim, deixando-as secar no corpo.



Ficámos hospedados num dormitório para 16 pessoas e nem uma menina no meio delas... Travámos conhecimento com um arquitecto português de 30 anos, de Lisboa, que vinha visitar a cidade pelo marco que é para os da sua profissão; e com um grupo de jovens skaters franceses, que vinham participar num evento e que eram patrocinados pela Vans.

O resto da tarde passei-o a lavar roupa à mão no lavatório, que já não tinha nenhuma limpa (como é natural, não andámos às costas com roupa para 40 dias. De facto, tinha muito puca roupa).

E sendo o sítio tão acolhedor passámos a noite por ali, a ler na esplanada.

Rambla diurna

Seja de dia ou de noite, a Rambla é sempre um passeio ao rubro.

Jazz Nocturno

Numa das noites conhecemos um professor de Saxofone austríaco de vinte e muitos anos que estava hospedado no nosso hostel com o qual tivemos uma longa conversa sobre música e não só. Falou-nos de uma Jam de Jazz que ia haver num bar refundido de um beco refundido nos recônditos do bairro gótico.

Fomos lá ver aquilo. Era mesmo refundido. Um ambiente acolhedor, abafado, abrasador, e música Jazz ao vivo ao sabor de uma cerveja.



Hard Rock

Tinha um Cadillac em cima do balcão do bar:


E um candelabro feito com saxofones:

O Porto de Barcelona

É grande pa c*r*lh*!!!

Núria

E eis que no meio da Rambla encontramos um restaurante com este nome.

Raio da moça não me larga... ;)

A noite na Rambla

A Rambla é a avenida mais animada da cidade. Quer seja de dia quer de noite, está sempre apinhada de transeuntes errantes, prostitutas, homens-estátua, músicos, break-dancers, pintores, burlões, pedintes, vendedores ambulantes e sei lá que mais.

Podes percorrer a avenida a pé em 10 minutos, mas provavelmente demorarás mais de uma hora, com tanto espectáculo que há para te regalar os olhos.

O que me marcou mais foram, sem dúvida, os pintores de rua, dezenas deles, de géneros diferentes, mas quase invariavelmente de grande qualidade.

Havia retratistas e caricaturistas que desenhavam as pessoas ali e agora, elas sentavam-se e formava-se uma multidão a ver o trabalho minucioso do retratista ou os traços rápidos e seguros do caricaturista.

Havia os que expunham e vendiam as suas telas com temas da cidade, da tourada ou do flamenco, pintados a óleo de cores vivas e garridas, vermelhos e laranjas e amarelos, cores quentes que condiziam com a cidade abrasadora; e ainda os que desenhavam fantásticas paisagens fantasiosas em acrílico.

Um espectáculo de talentos multifacetados, digno de ser apreciado com calma e atenção.

Eis-nos na Rambla nocturna. Por incrível que pareça não estávamos a tentar ver quem é que conseguia fazer a maior cara de parvo.

A praia de Barcelona

A praia em que estivemos em Barcelona ficou marcada no meu coração, na medida que foi sem sombra de dúvida a pior praia em que já estive na vida.

A areia parecia pó, a água era castanha e barrenta e o areal estava sobrepopulado. A extensão de costa era muito curta, por isso o mar ainda estava mais sobrepopulado.


Esta praia só é digna de nota por um motivo: as eslovenas que estavam connosco acharam-na paradisíaca. Na verdade, estas foram as palavras delas:

"Tem um areal imenso e palmeiras, como naquelas ilhas de sonho... E não tem quase ninguém..."

Isto foi das coisas mais intrigantes que ouvi na minha vida. Foi quase surreal a diferença nas nossas percepções sobre aquele sítio.

De facto, o que acontece é que a Eslovénia só tem 42 km de costa. E não é da costa mais bonita deste mundo.

Só consegui apreciar até que ponto estávamos a usar padrões de comparação diferentes quando elas, mais de um mês depois, me mandaram fotos das praias que costumavam frequentar.

E é digno de nota, mais uma vez, ir para o estrangeiro é uma excelente forma de aprender a apreciar o que se tem em casa. Porque isto é uma praia típica do Algarve:


Enquanto que isto é uma praia típica da Eslovénia:


Auch!... Cada vez tenho mais pena daquelas pobres raparigas...

Desde que, chegados a Portugal, lhes mandámos fotos das nossas praias, elas não pararam de fazer planos sobre virem cá no próximo Verão.

Sagrada Família

O ex-libris de Barcelona, gigante inacabado, há décadas que se encontra em construção e o fim não está à vista. A maior das suas torres ainda está por construir. A Sagrada Família é a obra-prima de Gaudi, domina a paisagem da cidade com a sua imponência avassaladora.


Ficámos durante uns bons minutos a olhar para cima de boca aberta até que começou a doer o pescoço.


A fila para entrar era estúpida, por isso decidimos ir almoçar primeiro. O Mac era mesmo ao lado, mas um menu custava 7.20€! Um escândalo, só pude comer um. A sorte é que tinha um tupperware com febras grelhadas do dia anterior e pude comê-las com o resto das batatas.

A seguir pagámos 8€ para entrar na igreja. Outro escândalo, mas achámos que devia valer a pena. Achámos mal. Lá dentro dá para ver andaimes e pilares, na grande nave central. Atravessa-se a nave e pronto, acabou a visita, voltem sempre.


Saímos pelas traseiras:

Depois as eslovenas sugeriram que fôssemos à praia. Ainda nos fartámos de andar até lá chegar e pelo caminho ficámos a conhecê-las melhor. Um dos pormenores engraçados é que elas paravam em rigorosamente todos os semáforos vermelhos para peões, mesmo que não houvesse nenhum carro na estrada, e ficavam à espera até o semáforo abrir. Felizmente estávamos lá e pudemos ensinar a estas pobres almas um importante conhecimento de que nos orgulhamos enquanto portugueses, e pelo qual regemos as nossas vidas: o de que as leis só interessam quando a polícia está a olhar.

Cumprimos assim o papel de missionários e ficámos com o coração descansado por saber que as ajudamos a voltar para o seu país obscurantista com a mente um pouco mais iluminada.

Cinzento


Esta foi uma das coisas que nos surgiu como um choque ao passear por Barcelona: o cinzentismo das ruas. Têm à primeira vista um aspecto sujo, velho, degradado, poluído e opressivo - ainda que na verdade não o sejam de todo quando se olha com mais atenção.

O que acontece é simplesmente que o pavimento é feito de lajes de betão e nós estivemos habituados desde sempre à brancura da calçada portuguesa.

Como víriamos a confirmar, este pavimento cinzento é uma constante por toda a Europa. Nalguns sítios o pavimento é mesmo revestido com asfalto.

Foi necessário sairmos dele para podermos apreciar uma das coisas belas do nosso país: a brancura das ruas das cidades, que contribui grandemente para tornar as zonas pedonais muito mais atractivas e com um aspecto muito mais luminoso. Mesmo não sendo das ruas mais limpas, acabam por ter muito melhor aparência.

Algo de que nunca tínhamos tido consciência, mas que provavelmente é uma das coisas que mais maravilha os estrangeiros que visitam o nosso país.

Comparem-se as fotos acima com a desta rua calcetada em Lisboa:

Uma manhã a ver Gaudi

Depois do pequeno-almoço convidámos as eslovenas para virem passear connosco pela cidade. Neste passeio, como não podia deixar de ser, passámos por algumas das obras de Gaudi, que sarapintam Barcelona de arquitectura que não lembra ao menino Jesus, contribuindo grandemente (se não quase exclusivamente) para o fascínio da cidade, ao proporcionarem paisagens que parecem retiradas de um planeta alienígena.

O professor que lhe ortogou o diploma terá dito: "Não sei se habilitamos um génio ou um louco".

Eu também não sei.

A primeira paragem digna de marca foi a casa Batlló, cujos interiores são dos mais espectaculares devaneios do nosso amigo:


Ou pelo menos, assim ouvimos dizer, porque se pagava 16 euros para entrar, por isso vimos por fora e achámos muito giro.

A seguir passamos pela Pedrera:


Que ficava mais em conta, pelo que pagámos para entrar. O pátio interior:

Por algum motivo não temos mais nenhuma foto do interior da Pedrera, mas foi onde passámos o resto da manhã. É tão esquisita por fora como é por dentro. Ao público está acessível o apartamento do último andar, o sótão (que tem uma exposição sobre o arquitecto) e o terraço, que é todo ondulado, com caminhos retorcidos a passarem pelo meio das chaminés aberrantes:


De salientar que esta arquitectura, que ainda aos nossos olhos é completamente arrojada, tem cerca de um século de existência. Gaudi inspirou-se nas formas da natureza para desenhar as suas obras e levou-as a um pormenor exaustivo: as maçanetas das portas, extremamente invulgares mas curiosamente ergonómicas, são feitas com a forma de ossos de animais.